Erliquiose Canina

Em 09-jul-2014 | por David Loureiro


Erliquiose Canina

A Erliquiose é uma doença grave que acomete os cães e é transmitida pela picada do carrapato vermelho. Antes de falar sobre a doença, vamos conhecer um pouco mais sobre o transmissor da erliquiose.

O carrapato que transmite tal doença recebe o nome de Riphicephalus Sanguineus ou carrapato vermelho do cão. Eles possuem hábito nidícola vivendo em ninhos, toca ou abrigo de seus hospedeiros. Gostam de lugares quentes e escuros.

Um fêmea adulta pode ovipor em média 4.000 ovos que eclodem em 2 a 7 semanas, liberando as larvas que irão se alimentar por 3 a 12 dias. Estas lavas alimentadas caem do hospedeiro e permanecem fora por 6 a 90 dias, quando se transformam em ninfa. As ninfas também se alimentam por um curto período 3-10 dias. Após alimentadas, voltam ao ambiente para se tornar adulto.

Geralmente para completar seu ciclo, necessitam de 3 hospedeiros: para larva, ninfa e adulto respectivamente. Mas o carrapato pode completar seu ciclo de vida com apenas um animal como hospedeiro, se desprendendo do animal ao final de cada repasto sanguíneo (alimentação).

Parasitam principalmente a cabeça, pescoço, dorso, orelhas e entre os dedos. São muito comuns em áreas urbanas. Se o seu complicado ciclo de vida for interrompido o carrapato pode sobreviver por longos períodos ou hibernar no inverno, podendo sobreviver dentro de casa devido suas baixas necessidades de umidade. Além da erliquiose este parasita também transmite aos cães a Babesiose e a Hepatozoonose.

O Riphicephalus Sanguineus, ou carrapato vermelho, transmite a Erliquiose para os cães pela saliva enquanto se alimenta com o sangue do animal. A doença tem um período de incubação de 1 a 3 semanas.

A Erlichia Spp é um microrganismo (riquétsia) intracelular obrigatório existindo várias espécies de Erlichia, sendo a Erlichia canis a que mais comumente afeta os cães. O microorganismo não é transmitido via transovariana no carrapato. Portanto, somente um carrapato alimentando-se em um cão doente é capaz de tornar-se infectado e perpetuar a doença. A erliquiose também pode ser transmitida aos cães por transfusões sanguíneas.

A erliquiose consiste em 3 fases principais:

Aguda: inicia-se de 1 a 3 semanas após infecção. Durante este período o microrganismo se multiplica dentro de determinadas células e em alguns órgãos como fígado, baço e linfonodos, levando a aumento destes tecidos. As células infectadas são transportadas via sangue para outros órgãos especialmente pulmões, rins e meninges, induzindo a vasculite e infecção tecidual subendotelial. Ocorre também consumo, sequestro e destruição de plaquetas. Esta fase pode durar em média 2 a 4 semanas, se o animal conseguir eliminar o microrganismo.

Subclínica: ocorre de 6 a 9 semanas após a inoculação. O cão se torna portador do microorganismo, porém sem manifestar sinais de doença. Esta fase pode durar até 5 anos após infecção, podendo evoluir para fase crônica.

Crônica: nesta fase é onde muitas alterações clínicas se desenvolvem, devido a reação imune do organismo contra o microorganismo. Os sinais clínicos da erliquiose, variam de acordo com a fase da doença, condições imunes do hospedeiro e tipo de cepa e espécie de Erlichia.

Na fase aguda o cão pode manifestar sinais de febre, anorexia, perda de peso, presença de carrapatos e aumento de linfonodos. Já na fase crônica os sinais em sua maioria são causados por uma reação imune do organismo tentanto combater o parasita, o cão pode apresentar: depressão, perda de peso, mucosas pálidas devido a anemia intensa, dor abdominal, sangramento nasal, diarréia escura, vômito, lesões oculares (sangramentos oculares, uveíte), aumento de órgaõs (baço, fígado), alterações neurológicas (compativeis com inflamação de meninges), aumento no consumo de água e frequência de urina (secundário a lesão renal) entre outros sinais, caracterizado cães que desenvolvem manifestações da doença durante a infecção crônica. Devido a imunossupressão, infecções bacterianas secundárias poderão aparecer.

Os sinais clínicos da fase crônica são discretos, ausentes em alguns cães e graves em outros cães. Não é raro em áreas endêmicas detectar alterações no exame de sangue compatíveis com infecção crônica por E.canis em cães saudáveis que estejam apenas fazendo exames de rotina.

O diagnóstico é feito através do histórico (presença de carrapatos ou área endêmica da doença), sinais clínicos e achados de exames laboratoriais. A Erlichia canis afeta determinadas células do sangue, levando a um baixo número circulante delas e tal achado em associação aos sinais clínicos pode ser sugestivo da doença. Exames bioquímicos e urinálise são importantes para detectar alterações precoces em outros órgãos, principalmente os rins.

Exames mais específicos como sorologia e PCR, são úteis para se chegar ao diagnóstico. Alguns cães podem estar concomitantemente infectados pela erliquiose e babesiose, ou mesmo hepatozoonose, visto todas serem transmitidas pelo mesmo carrapato.

A erliquiose é uma doença fatal se não tratada. O tratamento tem a intenção de combater o microorganismo, bem como tratar as lesões por ele causada. A terapia básica consiste em antibioticoterapia via oral com droga específica durante 21 dias. Em alguns casos pode ser necessário uso de droga injetável aplicada a cada 7 a 15 dias. Dependendo da gravidade dos sinais o cão precisará de internamento para fluidoterapia e transfusão sanguínea. O sucesso do tratamento irá depender da fase da doença e gravidade dos sinais que o cão apresenta, visto que em estágios avançados da erliquiose pode ocorrer aplasia de medula.

O controle da infestação dos carrapatos é parte essencial do tratamento, para evitar uma recidiva da doença, pois o cão não se torna "imune" após a infecção. Com isso, caso seja novamente picado por um carrapato infectado, poderá adoecer de novo.